Eu ainda era criança quando, em 2001, meu pai sofreu um infarto. Foi a primeira vez que senti, de perto, como a vida pode mudar em um instante — e como faz diferença ter alguém ao lado nos momentos de medo. Aquela lembrança ficou em mim muito antes de eu entender o que faria com ela.
Comecei a vida adulta pela Engenharia. Gostava da lógica, dos cálculos, das certezas. Mas foi o acidente da minha irmã, em 2017, que virou tudo de lado. Vê-la fragilizada me mostrou, com toda a clareza, que eu não queria cuidar de estruturas e números — eu queria cuidar de pessoas. Foi ali que decidi recomeçar do zero.
Troquei a régua pelo jaleco e prestei vestibular de novo. Em 2019, veio a aprovação em Medicina. A cada plantão, a cada paciente, a cada história que me era confiada, eu tinha mais certeza de estar no lugar certo.
Durante a formação, visitei uma residência terapêutica — um lar para pessoas em sofrimento psíquico, muitas delas esquecidas pelo mundo. Saí de lá diferente. Entendi que o meu dom não estava em ter todas as respostas, mas em acolher, ouvir e cuidar. Era isso que me movia — e segue me movendo até hoje.
Foi também por esse caminho que encontrei a inspiração de Carl G. Jung e de Nise da Silveira: o olhar que enxerga a pessoa inteira por trás do sintoma, com respeito à sua história e à sua singularidade. É esse olhar humano sobre a saúde mental que escolhi como guia para o meu trabalho.
Nesse percurso, reencontrei a hipnose — não como mistério, mas como um recurso clínico, ligado à medicina, que pode apoiar o cuidado da mente quando bem indicado. Hoje, a hipnoterapia clínica caminha junto com o cuidado médico que ofereço, sempre dentro do que cada pessoa precisa.
Sou movido pela fé. Ela me lembra, todos os dias, de que cuidar do outro também é um chamado — e é com essa convicção que recebo cada pessoa que cruza a porta do consultório.
